domingo, 30 de maio de 2010

Pensar, Ser, Viver

Pensar, Ser, Viver

Pensei em escrever sobre mim.
Pensei em escrever coisas do coração.
Pensei em escrever sobre muitas coisas.
Pensei, pensei, pensei e não cheguei a nenhuma conclusão exata.
Acho que só existe exatidão na matemática.
Nós somos carne que pode se desfazer.
Somos sentimento que podem se solidificar ou desmanchar.
Somos poeira que não pára quieta.
Viver para que possamos sentir.
Sentir para que a vida ganhe significados.
Pensar para que nunca esqueçamos o que somos.

Samanta Nóbrega (2007)

sábado, 29 de maio de 2010

Bom dia!

Depois de alguns meses sem se encontrar pessoalmente, os dois amigos tinham finalmente conseguido se encontrar para um happy-hour em um restaurante qualquer de uma cidade que agora não importa o nome. Eles se conhecem desde a época da faculdade e participaram ativamente da vida um do outro nos melhores e piores momentos. Casamento, nascimento dos filhos, batizados, falecimento dos pais, separação, dificuldade financeira, nascimento dos netos, festas de Reveillon, Natal e assim por diante.

Mas ultimamente a rotina impedia o contato mais diário. “Quem disse que aposentadoria é descanso mentiu”, disse sorrindo Alves. E isso é a mais pura verdade. Desde que se aposentou Alves não tinha mais tempo para nada. Era o responsável por levar os netos ao colégio e todas as atividades extra-curriculares que as crianças fazem atualmente. “No meu tempo era só ir para a escola, fazer dever de casa e brincar na rua. Hoje a agenda deles mais lembra a minha quando eu era executivo. Quando eles chegarem lá, o dia terá que ter 50h”, brinca Pereira.

Já Pereira não se desvencilhara totalmente do trabalho. Mesmo aposentado, aderiu a uma profissão da moda: consultor. Viajava o Brasil para salvar (ou não) empresas de diferentes segmentos. “Sou pago para falar. Isso para mim nunca foi problema”. Papo vai, papo vem, os dois conseguiram colocar boa parte do assunto em dia. Mas tinha uma coisa que Pereira não conseguia entender:

- Como você consegue ficar tanto tempo casado com a mesma mulher, Alves? Acho a Lídia maravilhosa, mas estar com a mesma pessoa há 35 anos é algo que não passa em minha cabeça.
- Pereira, você não é parâmetro para ninguém.
Gargalhada geral
- Eu sei. Nesses 35 anos já passei por três casamentos e muitas namoradas… Mas eu sei que você também teve suas aventuras, digamos, “extra-curriculares”.
- Tive sim… mas nada duradouro. Uma noite ou, no máximo, duas. E, sem querer ser machista, mas já sendo, foram essenciais para estarmos juntos até hoje.
- Como assim?
- Foi sexo. Só sexo, sem sentimento…
- Sei bem o que é isso, mas os meus casos sempre viraram novas ex-mulheres.
- Você é um cafajeste, Pereira. Sempre foi. No “melhor” sentido da palavra, se é que isso existe!
Gargalhada geral
- Mas me conte, Alves, o que leva você a estar com a Lídia até hoje? De onde vem tanto amor?

Alves parou para pensar. Tantas coisas poderiam ser ditas para responder a esse pergunta. Ele e Lídia passaram por tantos momentos juntos e ela sempre ao seu lado. Ela lhe deu os melhores presentes que poderia ter: seus três filhos. Segurou a barra quando ele perdeu o emprego e quando teve um infarto. Lídia também era linda. A garota mais charmosa da faculdade e manteve esse charme no passar dos anos. Não precisava de nada, cirurgia plástica, botox, nada. Gostava das mudanças das curvas do seu corpo e não se importava com uma gordurinha a mais aqui ou ali.

Lídia era paciente e sabia de todas as suas manias. Só ela tinha o jeito certo de lhe acalmar quando chegava nervoso em casa depois de um dia estressante de trabalho. Ela sabia falar a palavra certa na hora mais incerta, dando o conforto e segurança que precisava. Também sabia estimulá-lo a ousar mais seja nos negócios ou nas decisões com os filhos. Como também dizia, com seu jeitinho todo especial, quando era para puxar o freio nos gastos exagerados.

Como todo relacionamento, o casamento dos dois passou por altos e baixos. Mas os momentos de brigas foram tão pequenos relacionados a tudo que viveram que nem mereciam ser citados. Na verdade, eles dão risada até hoje da semana que ele passou fora de casa por causa do liquidificador. Sim, ele a traiu, umas duas ou três vezes, mas acredita que serviu para apimentar o casamento, para sentir que amava ainda mais a mulher… E ainda…

- Alves? Está difícil responder?
- Pelo contrário, Pereira… posso enumerar para você vários fatos, sentimentos que responderiam sua pergunta…
- E então?
- Posso resumir em apenas um: eu simplesmente amo o jeito que ela me diz bom dia toda manhã…

Pereira não estava preparado para essa resposta… pediu a conta e saiu sem dizer mais uma palavra…(Autor Desconhecido)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

De volta ao mundo dos blogs!



E Sam volta ao mundo dos blogs! Ainda sem jeito. Ainda meio tímida. Pensando muito: o que escrever? Como escrever? Que público? Qual é meu foco? Será que isso é realmente importante?
O que quero é voltar a escrever nessas mal traçadas linhas coisas sobre mim, o que sinto, o que vejo, o que espero. E só. Não importa se são relatos, crônicas, poemas, músicas, fotos, vídeos. O importante é que sejam verdadeiros. Pode ser para dar um simples bom dia, ou então falar da importância de acontecimentos, pessoas, viagens...Quero voltar a escrever diariamente. Escrever me motiva e me fez muita falta (quando hackeram meu antigo blog, ate entao com mais de 11 mil visitas).
Daí surge um questionamento: mas eu já não passo o dia todo escrevendo? Sim… matérias da faculdade, sms, e-mails, recadinhos e, inclusive, no twitter! No entando, uma "produção pessoal" faz falta demais. E estou me aquecendo ainda. Longe de ficar na forma ideal, mas curtindo e buscando ter tempo para escrever por aqui (todo dia, ou mais de uma vez, como fazia antigamente).
Uma coisa tenho que dizer: sei o que não quero! Pode ter certeza que leio e releio os meus textos antes de serem publicados. E não vou admitir censura do tipo: "ela nao sabe o que diz/faz". Tomo muito cuidado com tudo que faço e sei o quanto a Internet é pública e expõe pessoas e fatos. As experiências aqui são minhas. As vivências são minhas. Nada é igual… o mesmo show, livro, filme, música terão sentimentos distintos em mim e em você. Nenhum segredo será revelado, ao menos que você o faça!
E Sam volta ao mundo dos blogs... escrevendo, brincando, sorrindo, se divertindo com as palavras. Sem se preocupar demais e vivendo... sempre vivendo!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Acordar


A vida é composta de diversos “despertares”. Sentimentos, ações, trabalhos, pessoas, etc. E são eles que nos motivam, guiam e transformam. É tão bom acordar a cada manhã e sentir que se pode fazer diferente. E sim, isso é possível. Estou acordando de novo. E isso é bom. No início desse “processo” os dias ficam mais bonitos. O sorriso mais largo. A felicidade mais latejante. E isso é bom. Tão bom que, algumas vezes, chega a pertubar quem está do lado. Mas até para isso é um aprendizado.

Acordar para a vida. Acordar e agradecer a Deus por mais um dia. Acordar em mim, para você. Quem quer que você seja… estou despertando agora.


quarta-feira, 26 de maio de 2010

Na espreita da janela



Na espreita da janela o olhar dela se perde. Pensamento voa longe. Longe de quê? Longe de quem? O céu está claro, o sol brilha forte e uma pequena brisa toca-lhe o rosto. Ela pisca e desperta. Na espreita da janela o olhar dela sorri. Mas não tem ninguém ao seu lado para perceber isso. Ela está sozinha. Os pensamentos viajaram o mundo e voltaram para ela. Agora não lhe pertenciam mais. Dividira-os com o que encontrou pelo caminho. Arvores, pássaros, ventos. Navegou mares, atravessou continentes. Encontrou pessoas.
Na espreita da janela o olhar dela se pergunta: o que fazer? Como viver? O que viver? Como deixar-se querer? Ela se volta para si mesma. Na espreita da janela o olhar dela se encontra. Ela tem medo do que vê. Do que se tornou. Por que se fechou tanto para si mesma? Por que se fechou tanto para o mundo? Por que estava sozinha? Sentimentos loucos, doidos, sem tradução. Sem explicação. Essa era uma visão que há muito tempo não acontecia. Ela se enxergar. Se perceber.
Na espreita da janela o olhar dela teve medo. Medo de mudar. De viver todas essas experiências que seu corpo e mente ansiavam tanto. Há tanto tempo. O medo de sair do controle. Do seguro. Do estável. Mas o que vale a vida sem emoção e o frio na barriga? Por que tanto medo de se entregar? É tão bom viver. Ela já teve essa experiência e amou. Mas sofreu. E, no medo de sofrer novamente, sofre hoje, muito mais. Mas tem uma falsa segurança que a sustenta. Difícil mudar isso.
Na espreita da janela o olhar dela tem esperança. Esperança de voltar a ser. De existir e sair dali. De colocar a cara na rua e, enfim, ser feliz. Na espreita da janela ela perde o medo, se coloca de frente para o mundo e encara a rua. A vida. As pessoas. O que há ao seu redor. Não podia deixar aquele momento passar. Tanto já tinha passado enquanto estava na espreita. Queria vida. Queria luz. Queria mais.
Na frente da janela ela encara a vida. Sem esquecer o que um dia foi. Tendo discernimento em não repetir os erros de outrora. Sem perder sua essência, mas conquistando sempre novos aromas para compor o seu buquê. Sua vida.